Parada LGBT de Taguatinga pede voto em candidatos apoiadores da causa

Evento reuniu mais de 40 mil pessoas na principal avenida da cidade no dia mais quente do ano.

13ª Parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga, DF. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
13ª Parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga, DF. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
O DF registrou no domingo, 12, o dia mais quente e seco do ano com umidade em 10%, mas isso não desanimou o público que participou da 13ª Parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga. (Confira fotos no final da matéria)

Em ano de eleições, o engajamento político deu o tom ao evento, que acontece na Praça do Relógio, área central da região administrativa, até às 22h. Com o tema “Tire seu voto do armário, vote LGBT”, Parada reivindica visibilidade a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais do Distrito Federal e estimular o voto em candidatos desse segmento ou que sejam pró-LGBT no período eleitoral.

Edição reuniu mais de 40 mil pessoas durante todo o evento, segundo organização. Com apresentações artísticas em trios elétricos, alguns pré-candidatos à Câmara Distrital e até ao Palácio do Buriti marcaram presença, como Júlio Miragaia (PT-DF).

Michel Platini coordenador da Parada LGBTS de Taguatinga e presidente do Conselho Distrital dos Direitos Humanos. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
Michel Platini coordenador da Parada LGBTS de Taguatinga e presidente do Conselho Distrital dos Direitos Humanos. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

O efetivo de segurança é de 20 brigadistas e 40 seguranças privados. A organização do evento disponibiliza, ainda, 100 banheiros químicos nas imediações da Praça do Relógio e pelo percurso, que este ano foi pela avenida Sandu Norte, passando pela Comercial Norte e voltando para o ponto de concentração, na Praça do Relógio.

Para um dos organizadores da parada e representante da Aliança Nacional LGBTI em Brasília, Michel Platini, o evento deste ano tem valor especial por acontecer em ano de eleição. “A população LGBT vive uma restrição de direitos civis e humanos. O Poder Legislativo atua pela retirada desses direitos e aprovou o Estatuto da Família, que deslegitima as nossas famílias”, exemplifica.

O servidor público Enilson Bastos durante a 13ª Parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
O servidor público Enilson Bastos durante a 13ª Parada do Orgulho LGBTS de Taguatinga. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Outra pauta de interesse é a regulamentação da Lei Distrital 2.615 de 26 de outubro de 2000, que impõe penas administrativas para quem pratica LGBTfobia. “Estamos na luta há 20 anos, mas o governador assinou o decreto que regulamenta a lei, em 2017, e a Câmara derrubou”, lamenta Platini. “Temos poucos deputados que defendam nossos direitos. A Câmara tem que ter a cara do povo de Brasília e expressar a sociedade, inclusive com negros e mulheres”, defende.

Visibilidade

O servidor público Enilson Bastos, 56, foi à parada para ser visto. “Mostrar que a gente faz festa, mas que a gente existe”, explica. “Falta visibilidade e representatividade. Para ganhar meu voto, o candidato tem que defender a total laicidade do Estado, dizer não ao Estatuto da Família e colocar a lei anti homofobia do DF em prática”, elenca, ao se referir à Lei 2.615.

Apresentadora do evento, a drag queen, modelo e atriz Allice Bombom, 24 anos, acredita que o evento incentiva os participantes a votar corretamente. “Para que a gente tenha mais força na Câmara Distrital e no Congresso Nacional”, complementa. “Existem leis para nós, mas não são aprovadas. Isso é um Carnaval, a gente se diverte, mas também serve para lutarmos por direitos”, opina.

A drag queen Allice Bombom ao lado da deputada federal Eryka Kokay na 13ª Parada LGBTS de Taguatinga. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
A drag queen Allice Bombom ao lado da deputada federal Eryka Kokay na 13ª Parada LGBTS de Taguatinga. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

A estudante de artes cênicas Cácia Labaxúrias, 23, chama a atenção para a importância de o evento acontecer fora do Plano Piloto. “Precisamos ocupar as cidades satélites. Muitas coisas acontecem lá, onde nem todos têm acesso”, aponta. O colega Paulo Bastos, professor, 25, acredita que a população LGBT deve acordar. “Abrir os olhos e se unir para eleger quem está do nosso lado. Muitos candidatos extremistas não agregam em nada. Falta humanidade”, compartilha.

O vigilante José Florentino da Silva, 62, estava só de passagem pela Comercial Norte e resolveu parar para assistir a uma das apresentações de longe. “É a primeira vez que vejo algo assim. Achei normal, sem preconceitos. É cada um no seu lugar, sem humilhação. Somos todos seres humanos”, define.

A produtora La Fiesta foi uma das apoiadoras da 13ª Parada LGBTS de Taguatinga. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
A produtora La Fiesta foi uma das apoiadoras da 13ª Parada LGBTS de Taguatinga. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Saiba mais

Na Parada LGBT de Brasília, em junho, a Aliança Nacional LGBTI apurou que, para 97% dos participantes, a causa LGBT era prioridade nas próximas eleições, na hora de escolher um candidato. Mais de 60% do público considerou que o candidato deveria ter experiência política e gostaria que ele defendesse causas como a segurança pública.

A plataforma www.votelgbt.org traçou um perfil dos participantes da Parada e da Caminhada LGBT de São Paulo em 2018. Na Parada, os homens foram maioria, com 49,2% de participação. Mulheres corresponderam a 44,5% dos participantes. Nos dois eventos, 80% do público disse ter ido ao local por motivos políticos e 20% por diversão.

Durante as manifestações, 40% dos LGBTs se declararam cristãos e outros 40%, ateus. Umbanda e candomblé somaram 20% das respostas. Entre as pautas políticas prioritárias para o grupo, o ensino do respeito ao LGBTQI+ nas escolas ficou em primeiro lugar, seguido da criminalização da LGBTfobia e a criação de cotas de emprego para pessoas travestis e transexuais.

Confira as fotos:

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