Congresso será o mais conservador das últimas três décadas

Projeção mostra que o PSL terá uma bancada de 51 deputados e todos contra os direitos LGBT.

Mais conservador, Congresso Nacional eleito pode limitar avanços em direitos humanos. (Foto: Rodolfo Stuckert)
Mais conservador, Congresso Nacional eleito pode limitar avanços em direitos humanos. (Foto: Rodolfo Stuckert)
O mapa político mudou. A onda liderada pelo o homofóbico Jair Bolsonaro elegeu o Congresso mais conservador das últimas três décadas. O PSL, partido do candidato, hoje com uma bancada de apenas oito deputados, recebeu votações maciças nos maiores colégios eleitorais do país e é a nova cara do Parlamento. Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável e também homofóbico, foi o deputado federal mais votado da história, com 1,8 milhão de votos em São Paulo. Os partidos tradicionais perderam força.

Uma projeção feita pela corretora XP mostra que o PSL terá uma bancada de 51 deputados. É superada apenas pelo PT, que deverá ter, de acordo com essa estimativa, 57 representantes — 13 a menos do que elegeu em 2014. O PSDB de Geraldo Alckmin foi reduzido a 24 deputados, a menor bancada do partido desde 1994. O MDB, partido de Michel Temer, o mais impopular dos presidentes brasileiros, poderá ser reduzido à metade: de 66 eleitos em 2014 para 33 deputados. O estudo mostra que até 14 dos 32 partidos que disputaram as eleições não conseguiram o percentual mínimo de votos exigido pela lei para ter direito de funcionar no Congresso, o que deverá provocar rapidamente um movimento de fusões e incorporações de legendas.

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O discurso de ódio que ajudou levar Bolsonaro ao segundo turno também tirou do Senado Lindbergh Farias (RJ) e Jorge Viana (AC), ambos muito identificados com a luta pelos direitos humanos. Vitimou até o carismático Eduardo Suplicy, que tentava voltar ao Senado, mas esbarrou na força de outro aliado de Bolsonaro, Major Olímpio (PSL), que levou a primeira vaga com 8,8 milhões de votos, quase o dobro do que obteve o petista.

Por outro lado, lideranças como Érika Kokay (PT-DF), Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) ganharam nas urnas e figuraram no grupo dos mais votados de cada estado.

E pela primeira vez, o Espírito Santo elege um senador gay assumido. O candidato Fabiano Contarato (Rede) é o primeiro LGBT assumido eleito para o Senado do Brasil pelo Estado. Segundo dados da Justiça Eleitoral, com 100% de urnas apuradas, Contarato obteve 1.117.036 votos, o que equivale a 31,15% dos votos válidos e garantiu vaga.

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