Afirmação de Jair Bolsonaro de que nunca foi homofóbico é Fake News

Pré-candidato à presidência fez declaração durante entrevista para Globo News. Gay1 checou informação.

O presidenciável Jair Bolsonaro em entrevista à GloboNews (Foto: Reprodução)
O presidenciável Jair Bolsonaro em entrevista à GloboNews (Foto: Reprodução)

O pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, foi o quinto entrevistado da Central das Eleições, do canal a cabo GloboNews, nesta sexta-feira.

A equipe do Gay1 checou a declarações de Jair Bolsonaro em que ele afirma não ser homofóbico. O Gay1 lançou uma campanha contra Fake News com objetivo de alertar a população LGBT sobre conteúdos duvidosos disseminados nos meios de comunicação, na internet ou pelo celular, esclarecendo o que é notícia e o que é falso. Leia:

“Eu nunca fui homofóbico”

FALSO: A Justiça do Rio condenou, em segunda instância, Jair Bolsonaro por dano moral coletivo, com pagamento de multa de R$ 150 mil, por declarações homofóbicas no programa CQC, da “TV Bandeirantes”. Em setembro do ano passado, os desembargadores da 6ª Câmara Cível confirmaram a decisão da primeira instância por três votos a dois. A defesa de Bolsonaro apresentou novo recurso em fevereiro deste ano. Ele ainda será julgado.

A ação civil pública foi ajuizada pelo Grupo Diversidade Niterói, Grupo Cabo Free de Conscientização Homossexual e Combate à Homofobia e Grupo Arco-Íris de Conscientização.

A entrevista foi concedida por Bolsonaro no dia 28 de março de 2011. Em resposta à pergunta “o que você faria se tivesse um filho gay?”, ele respondeu: “Isso nem passa pela minha cabeça porque tiveram uma boa educação, eu fui um pai presente, então não corro esse risco”.

Bolsonaro também foi questionado se iria a uma Parada do Orgulho LGBT, caso fosse convidado, e respondeu: “Eu não iria porque eu não participo de promover os maus costumes, né, até porque acredito em Deus, tenho uma família, e a família tem que ser preservada a qualquer custo, senão a nação simplesmente ruinará”. Ele também declarou: “Eu tenho o direito de falar né, tenho imunidade para isso, não é para defender o que eu bem entender, me chama de maluco, é outra história, mas não me chama de homossexual, de racista, nem de ladrão”.

No programa, o deputado também afirmou: “Eu não tenho qualquer informação que um filho meu tenha um comportamento homossexual com quem quer que seja, até porque tudo o que esses bichas têm para oferecer, as mulheres têm e é melhor”. Questionado se aceitaria o voto de um dos gays que vão à Parada LGBT, Bolsonaro respondeu: “Aí não tem problema nenhum, voto é muito bem-vindo, e tão votando num macho, eles não querem votar em boiola, é que boiola não atende os sonhos deles, tão votando num macho”.

Em sua decisão, a juíza Luciana Santos Teixeira, da 6ª Vara Cível do Fórum de Madureira, disse que Bolsonaro “expressou publicamente suas ideias de que a orientação homossexual é resultado de falta de educação, caracterizando maus costumes, incompatíveis com crença em Deus e com a preservação da entidade familiar, podendo conduzir à ruína da nação. Sugeriu, ainda, que homossexuais poderiam votar em um heterossexual por reconhecimento à sua superioridade. Afirmou que filhos homossexuais não podem ser motivo de orgulho, comparando ter um filho homossexual à morte”.

Para a magistrada, as declarações de Bolsonaro “implicam em retrocesso na luta contra o preconceito e pelo reconhecimento da igualdade e isonomia entre cidadãos”.

Campanha do Gay1 com objetivo de esclarecer o que é notícia e o que é falso. (Foto: Arte Gay1)
Campanha do Gay1 com objetivo de esclarecer o que é notícia e o que é falso. (Foto: Arte Gay1)
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