100 mulheres travestis e transexuais recebem curso de capacitação profissional do Google

No evento no escritório da multinacional em São Paulo, falou-se muito sobre empoderamento e autoestima.

No evento, falou-se muito sobre empoderamento e autoestima. (Foto: Giorgia Cavicchioli)
No evento, falou-se muito sobre empoderamento e autoestima. (Foto: Giorgia Cavicchioli)

O escritório do Google em São Paulo reuniu 100 mulheres trans na última segunda-feira para um workshop de capacitação profissional. A iniciativa fez parte do Womenwill, um programa da empresa que planeja aprimorar o desenvolvimento de mulheres e, assim, diminuir desigualdades de gêneros no mercado de trabalho.

De acordo com a gerente de marketing Maria Helena Marinho, responsável pelo programa, as mulheres recebem 16 horas de treinamento, sendo 12 delas específicas para o trato de questões psicológicas e emocionais e quatro para o aprendizado de ferramentas digitais.

O curso acontece todos os meses. A ideia é que ele ajude mulheres a encontrarem novos empregos, mudarem de carreira, aprenderem técnicas de negociação e de finanças pessoais. “A gente espera que elas saiam daqui mais conscientes do seu valor e que entendam que elas podem ocupar o espaço que quiserem no mercado de trabalho”, diz Maria Helena.

Maria Helena é gerente de marketing e responsável pelo programa. (Foto: Giorgia Cavicchioli)
Maria Helena é gerente de marketing e responsável pelo programa. (Foto: Giorgia Cavicchioli)

Palestras sobre liderança e chefias

Foi exatamente sobre isso que as mulheres presentes no evento desta segunda-feira conversaram. O braço do projeto que contempla as mulheres travestis e transexuais, segundo Maria Helena Marinho, foi criado por causa da situação de desemprego que a maioria delas vive, especialmente, devido a transfobia.

Na primeira parte do curso, as alunas receberam dicas de como ativar, internamente, suas capacidades de liderança. Numa palestra orientada pela psicóloga e coach Priscilla Sá, ouviram que, apesar de serem vítimas de uma sociedade discriminatória, elas podiam mudar essa realidade, se colocando como sobreviventes e donas de histórias de superação.

A psicóloga também falou sobre os tipos de chefe mais comuns nas empresas, as autoritárias e as passivas, e que elas, as alunas, não precisavam ser de nenhum desses extremos. “Vocês podem achar um equilíbrio na assertividade”, disse Priscilla. Um dos momentos mais emocionantes do evento foi quando a autônoma Amanda Marfree, de 33 anos, tomou a palavra e disse que tinha muita vergonha de falar em público. Nesse momento, Priscilla a chamou no palco. No caminho, Amanda foi aplaudida pelas colegas. Ao microfone, incentivada pela psicóloga, contou um pouco de sua história.

Dicas de finanças e negociação

As 100 alunas receberam ainda orientações da publicitária Dani Gábriél sobre como criar uma rede de contatos profissional. A publicitária também deu dicas de como preparar currículos, negociar empregos e se apresentar a outros profissionais de áreas que as interessam.

O dia contou também com muitas falas sobre empoderamento e autoestima. Na terça-feira, o curso continuou, com treinamentos específicos sobre finanças e ferramentas digitais. Também foram apresentados casos de mulheres trans que tiveram sucesso no mundo corporativo.

Quem quiser participar do projeto pode se inscrever no site.

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