Com publico recorde, Parada LGBTS de Brasília pede voto arco-íris; confira fotos

Evento reuniu 100 mil pessoas no Eixo Monumental, dizem organizadores.

Na 21ª edição, Parada LGBTS de Brasília reuniu cerca de 100 mil pessoas, segundo os organizadores. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
Na 21ª edição, Parada LGBTS de Brasília reuniu cerca de 100 mil pessoas, segundo os organizadores. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Política foi o tema da Parada LGBTS de Brasília neste domingo (1). Na 21ª edição, o evento reuniu cerca de 100 mil pessoas, segundo os organizadores. Às 20h, a Polícia Militar não registrou nenhuma ocorrência. Confira as fotos no final da matéria.

A concentração foi às 15h no Congresso Nacional. De lá, o publico seguiu por toda a via N1, passando pelo Palácio do Buriti, até chegar à Torre de TV ao som de cinco trios elétricos.

A cantora e drag queen Aretuza Lovi fez o show de abertura da Parada LGBTS de Brasília. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
A cantora e drag queen Aretuza Lovi fez o show de abertura da Parada LGBTS de Brasília. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Durante todo o evento, houve pausas na música para discursos de defesa dos direitos LGBT. Muitas faixas e cartazes pediam respeito e protestos contra o “Estatuto da Família”, aprovado em 12 de junho pela Câmara Legislativa. A cantora e drag queen Aretuza Lovi fez o show de abertura do evento e fez um discurso com o mesmo teor. A drag queen brasiliense Pikineia Minaj ressaltou a necessidade de se votar em candidatos com pauta LGBT. “Temos que escolher nomes que vão fazer a diferença, mudar o quadro atual”, defende.

Durante o evento, a deputada federal Erika Kokay (PT), reforçou a simbologia de a concentração da parada de Brasília ocorrer diante da sede do Legislativo Federal. “Lá dentro, eles construíram um palanque do ódio. E nós estamos aqui libertando os beijos, libertando os direitos e fazendo uma manifestação de amor”, destacou a petista, uma das coordenadoras da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Casa.

Michel Platini coordenador da Parada LGBTS de Brasília e presidente do Conselho Distrital dos Direitos Humanos. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
Michel Platini coordenador da Parada LGBTS de Brasília e presidente do Conselho Distrital dos Direitos Humanos. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Para o coordenador do evento e presidente do Conselho Distrital dos Direitos Humanos, Michel Platini, o objetivo é mostrar a força política LGBT nas eleições de 2018. “Somos pelo menos 300 mil eleitores. E despertar a consciência política em cada um que está aqui é muito importante”, disse.

Michel também criticou a promulgação, pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, na última quinta-feira (28/6), do Estatuto da Família. Com a medida, o projeto que define família como “núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável” virou lei. “A aprovação inconstitucional do Estatuto da Família, prova que precisamos de LGBTS lá dentro [do Legislativo], lutando por nossos direitos”.

O deputado distrital Ricardo Vale (PT) também participou da Parada e fez criticas a nova lei. “Salta aos olhos, de pronto, o insulto ao mais caro princípio constitucional: da igualdade e da não discriminação. Ademais, revela-se clara a ofensa ao dispositivo constitucional que reserva à União a competência exclusiva para legislar sobre direito civil”, destacou o parlamentar.

O deputado distrital Ricardo Vale (PT) no centro ao lado do ativista Henrique Elias. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
O deputado distrital Ricardo Vale (PT) no centro ao lado do ativista Henrique Elias. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

“Colocaram o Estatuto da Família como um ‘submarino’. Se os deputados progressistas tivessem percebido, esse projeto não teria passado”, protestou Vale, que destinou emenda para realizações de algumas Parada do DF.

Pelo menos nove Paradas devem ocorrer no DF até setembro. Sobradinho, Cruzeiro, Sudoeste, Gama, Taguatinga, Candangolândia, Planaltina, Paranoá, Ceilândia e Itapoã terão edições nas próximas semanas (veja agenda no fim do texto).

A professora aposentada Fátima Brasil, 55 anos, acompanhou toda a manifestação com sua companheira a servidora pública Jane Aparecida Rosa, 45 anos. Para ela, a Parada LGBT é um momento de mostrar a expressividade da nossa comunidade na sociedade. “Não deixa de ser um ato político. Estamos lutando por reconhecimento de direitos, por representatividade e por respeito”, destaca Fátima.

Ela conclui que nas eleições de outubro, mais candidatos LGBTs assumam cargos. “Temos que votar em quem vai trabalhar pelos anseios da comunidade. Temos que ter representantes que vão preservar e reconhecer nossos direitos”, pondera a moradora da Vila Planalto. Fátima e Jane estão casadas há cinco anos.

A LGBTfobia na Rússia, país da Copa do Mundo, também foi lembrada durante a Parada de Brasília. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
A LGBTfobia na Rússia, país da Copa do Mundo, também foi lembrada durante a Parada de Brasília. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

O estudante de arquitetura Pedro Vitor Almeida, 22 anos, tem um discurso semelhante ao de Fátima. “Falta representatividade. Assim como vemos poucas mulheres, poucos negros vemos poucos parlamentares gays. Isso é controverso. Ao mesmo tempo que temos uma parada LGBT, vemos o grande crescimento do conservadorismo”, observa o morador da Asa Norte. O namorado dele, o também estudante de arquitetura Gabriel Amaral, 22 anos, concorda. Eles estão juntos há três anos.

Publico durante a 21ª Parada LGBTS de Brasília. ( Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
Publico durante a 21ª Parada LGBTS de Brasília. ( Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Agentes da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, por Orientação Sexual, Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) distribuíram material com orientações sobre a atuação da delegacia e da rede de atendimento ao público LGBTQI+ e fizeram plantão no local para registro de ocorrências de crimes voltados para a orientação sexual e identidade de gênero.

Segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, o modelo familiar formado por pai, mãe e filhos deixou de ser maioria no Brasil. Os novos arranjos já representam 50,1% dos lares brasileiros, contra 49,9% da formação tradicional.

A Uber patrocinou a 21ª Parada LGBTS de Brasília com trio elétrico e apresentação de Aretuza Lovi. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)
A Uber patrocinou a 21ª Parada LGBTS de Brasília com trio elétrico e apresentação de Aretuza Lovi. (Foto: Ernane Queiroz/Gay1)

Programe-se
Veja próximas Paradas do Orgulho LGBT em Brasília

Julho
Dia 08 – Sobradinho – Ginásio de Sobradinho
Dia 22 – Cruzeiro/Sudoeste – Feira Permanente do Cruzeiro

Agosto
Dia 05 – Gama – Estádio Bezerrão
Dia 12 – Taguatinga – Praça do Relógio
Dia 19 – Candangolândia – Praça das Bandeiras

Setembro
Dia 02 – Planaltina – Estacionamento do Ginásio de Múltiplas Funções
Dia 09 – Paranoá – Administração Regional
Dia 16 – Ceilândia – Estacionamento BRB (Centro)
Dia 30 – Itapoã – Saída do Del Lago

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