Artistas LGBT cantam juntos com Chico Buarque e Fernanda Montenegro em prol dos Direitos Humanos

As Bahias e a Cozinha Mineira, Ellen Oleria, Filipe Catto, Márcia Castro e Rico Dalasam participam do clipe; assista.

Nos setenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Anistia Internacional reuniu artistas brasileiros das mais diferentes gerações e estilos para a gravação do clipe “Manifestação”.

Com versos escritos por Carlos Rennó e musicados por Russo Passapusso, Rincón Sapiência e Xuxa Levy, a canção trata de diversos tipos de violações de direitos humanos recorrentes no Brasil e serve como um chamado para mobilização da sociedade.

A gravação contou com a participação de As Bahias e a Cozinha Mineira, Ellen Oleria, Felipe Catto, Márcia Castro, Rico Dalasam, entre outros. Assista o clipe:

“Manifestação é uma música que expõe uma série de violações de direitos que acontecem todos os dias e afetam em maior parte a população negra, os refugiados, indígenas, quilombolas, as pessoas LGBTI, as mulheres, e os moradores de favelas e periferias de todo o país”, explica a diretora-executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck.

“Essa canção-manifestação inspira para a luta que deve se seguir: por uma vida em condições dignas e com a garantia do acesso aos direitos humanos para todas e todos”, disse.

A canção ainda conta com participações de Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Criolo, Ludmilla, Péricles, Paulo Miklos, Luedji Luna, Rincon Sapiencia, Siba, Xenia França, BNegao, Chico César, Paulinho Moska, Pretinho da Serrinha, Pedro Luis, Marcelino Freire, Ana Canãs, Marcelo Jeneci, Russo Passapusso e Larissa Luz.

Veja a letra:

Manifestação

Aqui estamos na avenida,
Pelas ruas, pela vida,
Marchando com o cortejo
Que flui horizontalmente,
Manifestando o desejo      
De uma cidade includente   

E uma nação cidadã 
Traduzido numa canção,
Numa sentença, num mantra,
Num grito ou numa oração…

… Por todo jovem negro que é caçado
Pela polícia na periferia;
Por todo pobre criminalizado
Só por ser pobre, por pobrefobia;

Por todo povo índio que é expulso
Da sua terra por um ruralista;
Pela mulher que é vítima do impulso
Covarde e violento de um machista;

Por todo irmão do Senegal, de Angola
E lá do Congo aqui refugiado;
Pelo menor de idade sem escola,
A se formar no crime condenado;

Por todo professor da rede pública
Mal-pago e maltratado pelo Estado;
Pelo mendigo roto em cada súplica;
Por todo casal gay discriminado.

E proclamamos que não
Se exclua ninguém senão
A exclusão.

Aqui estamos nós de volta,
Sob o signo da revolta,
Por uma vida mais digna
E por um mundo mais justo,
Com quem já não se resigna
E se opõe sem nenhum susto

A uma classe dominante
Hostil à população,
Numa ação dignificante
Que nasce da indignação…

… Por todo homem algemado ao poste,
Tal qual seu ancestral posto no tronco;
Por todo jovem que protesta até que o prostre 
O tiro besta de um PM bronco;

Por todo morador de rua, sem saída,
Tratado como lixo sob a ponte;
Por toda vida que foi destruída
Em Mariana ou no Xingu, por Belo Monte;

Por toda vítima de cada enchente,
De cada seca dura e duradoura;

Por todo escravo ou seu equivalente;
Pela criança que labuta na lavoura;

Por todo pai ou mãe de santo atacada
Por quem exclui quem crê num outro deus;

Por toda mãe guerreira, abandonada,
Que cria sem o pai os filhos seus.

E proclamamos que não
Se exclua ninguém senão
A exclusão.

Eis aqui a face escrota
De um modelo que se esgota.
Policiais não defendem;
Políticos não contentam;

Uns nos agridem ou prendem;
Outros não nos representam.

E aquele que não é títere,
E é rebelde coração
Vai no face, no zapp, no Twitter e
Combina um ato ou ação… 

… Por todo defensor da natureza,
E cada ambientalista ameaçado;
E cada vítima de bullying indefesa;
E cada transexual crucificado;
E cada puta, cada travesti;
E cada louco, e cada craqueiro;
E cada imigrante do Haiti;
E cada quilombola e beiradeiro;

Pelo trabalhador sem moradia,
Pelo sem-terra e pelo sem-trabalho;
Pelos que passam séculos ao dia
Em conduções que cansam pra caralho;

Pela empregada que batalha, e como,
Tal como no Sudeste o nordestino;
E a órfã sem pais hétero nem homo,
E a morta num aborto clandestino.

Impelidos pelos ventos
Dos acontecimentos,
Louvamos os mais diversos    
Movimentos libertários
Numa cascata de versos
Sociais e solidários

Duma canção de protesto
Qual canção de redenção,
Uma canção-manifesto,
Canção-manifestação…

… Por todo ser humano ou animal
Tratado com desumanimaldade;

Por todo ser da mata ou vegetal
Que já foi abatido ou inda há-de;

Por toda pobre mãe de um inocente             
Executado em noite de chacina;
Por todo preso preso injustamente,
Ou onde preso e preso se assassina;

Pelo ativista de direitos perseguido
E o policial fodido igual quem ele algema;

Pelo neguinho da favela inibido
De frequentar a praia de Ipanema;

E pelo pobre que na dor padece
De amor, de solidão ou de doença;

E as presas da opressão de toda espécie,       
E todo aquele em quem ninguém mais pensa…

E proclamamos que não se exclua ninguém
Senão a Exclusão.

Dando à vida e à alma grande
Um sentido que as expande,
Cantamos em consonância
Com os que sofrem ofensa,
Violência, intolerância,
Racismo, indiferença;

As Cláudias e Marielles
Rafaeis e Amarildos
Da imensa legião

De excluídos do Brasil, do SUL ao norte da nação.

E proclamamos que não
Se exclua ninguém senão
A exclusão

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